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A Mercantilização Sexual do Consumidor

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O ambiente competitivo que vigora na esfera profissional se estende para o âmbito da vida pessoal. Em qualquer idade e para qualquer um, não basta ser atraente, ativo e disponível. É fundamental preocupar-se constantemente em promover um upgrade na performance sexual, como se houvesse uma espécie de esgotamento ou tédio nas atividades sexuais mais cotidianas.

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Além do corpo turbinado por exercícios e próteses de todo tipo, é preciso constituir-se como um verdadeiro atleta sexual, apropriando-se de saberes e recursos antes restritos a profissionais do ramo. A constituição do sexual como arena de mercado pode ser constatada em todos os momentos, nos mais diversos ambientes. Ela é visível, sobremaneira no discurso midiático.

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Viços e saberes na luta cotidiana contra a insegurança da mediocridade. Acessórios como sex toys e lingerie provocante, aliados a práticas como o striptease, a dança do ventre ou a pole dance prometem novos e irresistíveis prazeres e tornaram-se um must para indivíduos de qualquer idade ou posição social.

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Afinal é sabido que os discursos midiáticos não são ingênuos. Parece haver um interesse por parte dos produtores dos conteúdos em não apenas comercializar certos produtos propriamente ditos como, sobretudo, construir sentidos sociais que enfatizam sua importância para uma eficaz gestão de si na qualidade de vida. Devemos refletir sobre a constituição desses sentidos, uma vez que os discursos da mídia permeiam, orientam e modulam o contexto sociocultural e as diversas práticas de consumo.

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Num contexto onde juventude, beleza, sensualidade e máxima performance constituem chaves para o sucesso. As mais diversas práticas de consumo se apresentam como investimentos indispensáveis no ideário do amante irresistível.

CIRURGIAS PLÁSTICAS

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A modelo francesa Victoria Wild, 30 anos, gastou aproximadamente £30 mil (R$144 mil) em rinoplastia estética – cirurgia para correção do nariz -, implantes labiais permanentes, implantação de Botox no rosto, além de plásticas para aumentar os seios. Tudo isso para se parecer com uma boneca sexual inflável.

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A modelo ucraniana Valeria Lukyanova, mais conhecida como Barbie Humana, fez cirurgias no corpo e rosto para se tornar a versão real da boneca. Com uma cintura de apenas 50cm de diâmetro, a modelo, conta com a ajuda de técnicas avançadas de maquiagem para criar uma feição idêntica à do brinquedo.

Justin Jedlica, fez mais de 150 plásticas no corpo e rosto para se tornar o Ken Humano. O americano, de família eslovaca, já realizou cinco cirurgias no nariz e implantes nos bíceps, tríceps, peitoral, ombros e em outras partes do corpo. Curiosidade: os intérpretes dos personagens não se gostam.

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A jovem de 21 anos tinha se transformado em viral na internet ao dizer que tinha gastado US$20 mil (R$48 mil) para implantar a terceira mama. Apenas por fetiche sexual.

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Fontes:

Uso do Airbnb para fazer ‘bordéis temporários’ cresce no Reino Unido

Venda de produtos eróticos: um bom negócio

Dicas para abrir uma sex shop


Extraído do artigo Atraente, Confiante, Competente – Mídia, consumo e o ideal do amante irresistível: o desempenho sexual mercantilizado pela lógica corporativa.

Autoras:

Gisela G. S. Castro é doutora em Comunicação e Cultura (ECO-UFRJ. É docente e pesquisadora do programa de Pós-Graduação Stricto Sensus em Comunicação e Práticas de Consumo (PPGCOM). ESPM. São Paulo.

Clarisse Setyon é mestre em Comunicação e Práticas de Consumo (ESPM-SP), professora de cursos de graduação e pós-graduação lato sensu na ESPM. São Paulo

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